domingo, 14 de novembro de 2010

E O QUE SERÁ AGORA DO ENEM?

Último final de semana, 13h (horário de Brasília). Cerca de 4,6 milhões de estudantes de todo o país eram esperados para fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Logo após a primeira prova, no sábado (6), os estudantes percebem erros na folha de respostas e no caderno de provas amarelo. Têm início uma série de discussões e a dúvida quanto à validade do certame preocupa os candidatos.


No Pará, 164.728 alunos se inscreveram para participar do processo. A semana posterior às provas foi de insegurança para os alunos, que se mostravam receosos com a possibilidade da realização de uma nova prova. “Você se prepara o ano inteiro e, de repente, pode ser que seu esforço tenha sido em vão?”, lamenta a estudante Cristina Maia, 21 anos.


A estudante Gissela Lindozo, 24 anos, fez a prova do Enem pela segunda vez. Ela relata que no momento da aplicação da prova muita gente ficou em dúvida sobre como deveria ser marcado o cartão resposta. “Na minha sala orientaram para seguir a ordem do boletim de questões, mas teve casos de gente que marcou de trás pra frente, prova que faltava questão, que tinha questão repetida”, conta.


Já Juliana Buarque, 21 anos, prestou o Enem pela terceira vez. Ela ressalta que o desgaste emocional com a situação dos exames é o mais prejudicial. “É uma prova longa, trabalhosa e cansativa. Se essa prova tiver que ser anulada, que seja logo porque o desgaste é muito grande. Essa espera cansa e não tenho mais confiança no processo”, diz.


Para Gissela, a credibilidade do certame está ameaçada. “Esse ano a expectativa era que não ocorresse nenhum problema como no ano passado. Mas o Enem já mostrou falhas gravíssimas. Eu preferia o vestibular sem o Enem”, afirma. Outra preocupação dos estudantes é que as outras provas das universidades fossem adiadas, caso o Enem fosse reaplicado. “Se for cancelado, vai adiar as outras provas. Você fica sem saber de nada, sem poder fazer nenhum planejamento”, conta.


Os professores de escolas e cursinhos também se mostram preocupados com o andamento do certame. “É a segunda vez que acontece um erro. De certa forma há uma falta de planejamento na organização, fiscalização e aplicação da prova por parte do Ministério da Educação” opina o professor Jurueno Sampaio.


Ele enumera os problemas que os alunos encontram por conta dos erros na prova e da possibilidade de realização de uma nova. “Outra prova vai significar para o aluno um gasto extra, já que terá que pagar mais um mês de cursinho, além de um desgaste emocional muito grande. Eles também ficariam sobrecarregados porque se aproximaria de outras provas. O nível de estresse é muito grande”.


PROVAS


Após o exame ter sido suspenso através de uma liminar da Justiça Federal do Ceará, no dia 8, o Enem voltou a ser liberado na sexta-feira, dia 12. A decisão de suspender o certame era baseada nos erros verificados na prova e que a realização de um novo exame poderia beneficiar um grupo de estudantes. Foi suspensa também a divulgação do gabarito.


A liminar que suspendia o exame foi derrubada pelo desembargador Luiz Alberto Gurgel de Faria, presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. O magistrado atendeu o pedido formulado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – organizador do Enem. Na decisão, o presidente ressaltou que a suspensão do certame traria transtornos aos organizadores e candidatos de todo país, além de repercutir na realização dos vestibulares que utilizam a nota do Enem.


O presidente também destacou que a possibilidade de um novo exame traria um “elevadíssimo prejuízo ao erário, da ordem de R$ 180 milhões” para a contratação da logística necessária.

Fonte: http://www.diariodopara.com.br/

Um comentário:

JOÃO RAIMUNDO disse...

Caro Piteira.
Com a idéia de fazer do ENEM uma prova para classificação de alunos às universidades públicas, o exame perde o sentido que possuía desde quando fora criado. Independente dos problemas de logística e erros que apresentem, o mais grave é verificar que agora os cursinhos voltam suas baterias para preparar alunos ao ENEM, que por sua vez passa a dificultar com graus mais elevados de conteúdos, deixando de apreciar habilidades antes necessárias de serem apreciadas, para que se considerasse a capacidade dos alunos de escolas públicas, que não recebiam e nem recebem a carga “conteudista” sonhada pela classe média. Uma carga de conteúdos cuja mais de 80% não servirá para nada ao longo da vida dos alunos. É lamentável que esse exame tenha se tornado um mero instrumento de classificação dos alunos ricos às universidades públicas brasileiras. Na experiência passada, em 2006 nossa média na Escola Cidade de Emaús foi de 30%. Reivindicamos professores, brigamos com o governo e com os docentes que tínhamos e nossa média no ano seguinte passou para 40%. Hoje, duvido que nossos alunos consigam acompanhar o nível da prova. Se você comparar as questões dos exames anteriores com as atuais vai entender sobre o que estou falando. Disputamos agora é com Ideal, Universo, Teorema, etc. Esse é o erro.