segunda-feira, 18 de junho de 2012

BELO MONTE: POLÍCIA VAI USAR IMAGENS PARA IDENTIFICAR VÂNDALOS

Não basta identificar os autores da depredação criminosa, mas também seus responsáves intelectuais (Foto: contrapontomaraba.blogspot.com)
A Superintendência Regional da Polícia Civil em Altamira aguarda a análise de filmagens e fotografias, que está sendo feita por peritos, para iniciar as buscas pelos responsáveis pela invasão e depredação de vários escritórios situados no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. O caso aconteceu no fim da tarde do último sábado. 

Computadores, mesas, cadeiras e outros objetos foram quebrados e documentos queimados por índios e ativistas. Segundo informações do investigador Neirivaldo do Vale, hoje já foram ouvidos alguns agentes de segurança que trabalhavam no local no dia da invasão.

"Alguns relataram destruição de seus objetos pessoais, como notebooks, e registraram BOs", relatou.

O investigador informou que há possibilidade de também haver estrangeiros no grupo que cometeu a depredação nos escritórios. O Superintendente Cristiano Marcelo do Nascimento deve se pronunciar, amanhã, sobre o andamento das investigações.


PS: A sociedade paraense não pode assistir impassível o que aconteceu em Belo Monte, o sábado passado, com a invasão do canteiro de obras do AHE Belo Monte, em Altamira, e atos de vandalismo. Não basta identificar os autores da depredação criminosa, mas também seus responsáves intelectuais.

As imagens publicadas exibem a ação de índios identificados como da etnia munduruku, habitantes do alto Tapajós, em Jacareacanga. Mas não é preciso ouvir os relatos do que foi discutido no encontro do qual participaram, em Altamira, para saber que o vandalismo foi um ato incentivado por radicais da ecoteologia, a maioria integrantes de movimentos contrários ao AHE Belo Monte.

Nos anos 80, fiz parte de movimentos que lutavam contra a ditadura dos militares que tomaram de assalto o poder no Brasil. Pichar muros e paredes de prédios públicos, quebrar ônibus na luta pela meia-passagem, gritar, denunciar e exibir faixas de protesto contra a presença de Paulo Maluf e generais no Círio de Nazaré eram atos considerados ilegais, e eram de fato, eram as regras de então. Mesmo ilegais, eram ações legítimas, pois vivíamos um período de exceção, não tínhamos uma democracia, as leis eram arbitrárias.

A partir de 1988, com a vigência da Constituição Cidadã, construímos uma nova Democracia, reinstauramos o Estado Democrático de Direito, vivemos as liberdades pelas quais lutamos por mais de vinte anos. Hoje, todos vivemos sob a proteção e as obrigações de leis democráticas. Não podemos usar, hoje, as armas políticas que eram legítimas nos anos de chumbo da Ditadura Militar.

Assim, ainda que não concordasse com as obras de Belo Monte, não poderia apoiar os atos de vandalismo e depredação praticados por pessoas e movimentos que as condenam. O que houve em Belo Monte, sábado passado, é crime e, como tal, precisa ser apurado e seus responsáveis, indiciados, denunciados e julgados.

Ah, e que não venham com aquela velha e desbotada cantilena de que opiniões como esta não passam de tentativas de criminalizar os movimentos sociais!

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